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Reino Unido aprova técnica de fertilidade com ADN de três pais

Reino Unido aprova técnica de fertilidade com ADN de três pais

A entidade reguladora de fertilidade do Reino Unido aprovou a técnica FIV – Fertilização in Vitro - que autoriza que os médicos permitam a criação de bebés usando o ADN de três pais diferentes.

 

O Reino Unido tornou-se o primeiro país a autorizar a criação de bebés com ADN de três pessoas. A presidente da Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA, em inglês), Sally Chesire, descreveu a decisão como um “momento de mudança de vida” para as famílias que poderiam beneficiar do tratamento. " Os pais com alto risco de ter uma criança com uma doença mitocondrial potencialmente fatal podem em breve ter a chance de ter uma criança saudável, geneticamente relacionada" disse a presidente num comunidado.

 

No ano passado, o Reino Unido alterou a sua lei permitindo que os cientistas modifiquem os ovos ou embriões antes de serem transferidos para as mulheres, tornando-os o primeiro país a aprovar legalmente esta técnica. Em setembro, médicos norte-americanos anunciaram que tinham criado o primeiro bebé em que usavam estas técnicas.

 

Os novos procedimentos destinam-se a corrigir problemas relacionados às mitocôndrias – estruturas produtoras de energia externas ao núcleo de um célula. As mitocôndrias defeituosas podem resultar em condições como atrofio muscular, insuficiência de orgãos, fraqueza muscular grave e até diabetes e miotopias.

 

Para ajudar as mulheres com problemas mitocondriais e assim evitar que transmitam para os seus filhos, os cientistas removeram o ADN do núcleo do ovo de uma mãe e inseriram-lo num ovo doador a partir do qual o ADN do doador foi removido. Isso pode acontecer antes ou depois da fertilização. O embrião resultante deste processo termina com o ADN do núcleo dos seus pais, mas o ADN mitocondrial de um doador. O DNA do doador equivale a menos de 1% dos genes do embrião resultante. Na prática, combina-se o ADN de duas mulheres e de um homem, para evitar a transmissão de doença materna o que pode vir a resultar mum grande avanço da ciência.

 

Contudo, a decisão do Reino Unido de aprovar o uso dos novos métodos não abrirá as comportas a bebés geneticamente modificados. As clínicas precisarão aplicar ao regulador de fertilidade do Reino Unido permissão para usar as técnicas caso a caso. A decisão foi tomada após cinco anos de revisão do desenvolvimento, segurança e eficácia dos procedimentos.

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